domingo, 6 de julho de 2008

INSENSATEZ



Não é possível conviver com as altas taxas tributárias atuais e, principalmente com as características adotadas pela Receita Federal para cobrar tributos de quem trabalha oito ou dez horas por dia para sobreviver num cotidiano tão hostil e mutante financeiramente quanto a que se está vivenciando.Como compreender os cálculos governamentais que incidem sobre a renda do assalariado, obrigado a contribuir com o leão, entregando-lhe os míseros reais que sobraram, aliás, que geralmente não sobram, depois de pagar as contas do mês.Onde estão os direitos garantidos em lei de vida digna, com saúde, alimentação, moradia e lazer? Quem consegue tudo isso como professor, funcionário público ou autônomo? No entanto estes são a maioria que compõe a classe laboral do país. E são justamente esses que contribuem para saciar a fome do leão, sacrificando muitas vezes a saúde, a educação e o lazer.Logo, considera-se inexplicável pagar aluguel, gastar com educação, com alimentação, transporte e não poder abater no imposto. Como pagar imposto sobre despesas mensais que consomem o pouco ganho durante o mês? Como explicar que esses valores não bastam para o sustendo de uma família de classe média? Como fazê-lo entender que não sobra nem para a saúde, nem educação ou lazer e, que, mesmo assim, o leão exige o seu dísimo? Como entender a lógica usada para o cálculo? Como explicar que quem estuda em escolas ou universidades públicas tem tantos gastos quanto os que estudam em particulares? Ou que o aluguel consome mais da metade do salário mensal? Ou que existem outras despesas relevantes em uma família comum? Por que o imposto é calculado sobre despesas que o trabalhador comum não tem? Não tem porque está fora do seu orçamento, pois seu poder aquisitivo não permite. Tamanho disparate faz com que este pague imposto de renda e isto é incompreensível e imperdoável num país dito democrático e moderno.Esse raciocínio permite que se reflita que o homem evoluiu, o século é XXI, mas a postura, as normas, o arbítrio ainda é condizente com o século XIX, com normas impositivas incompreensíveis e coerentes com o trabalho escravo, embora hoje seja um outro tipo de escravidão: escravidão moderna. O tributo pago ao governo por quem labuta diariamente muitas horas por dia, todos os dias da semana, é o mesmo tributo que se pagava aos governantes no passado. A fome continua a mesma, as necessidades aumentaram, as angústias triplicaram, os salários encolhem frente às necessidades cotidianas e as exigências do mundo contemporâneo, mas os impostos continuam mais pesados e impiedosos do que nunca. Há que se estudar mais, conhecer mais, evoluir, aperfeiçoar-se sempre. Mas como? Como vencer essa barreira presente no social que se afasta a cada dia, que faz a diferença entre quem sabe e quem não domina a tecnologia, os novos conhecimentos, e que ganha apenas para comer e ainda pagar ao leão? Pagar por trabalhar mais e tentar melhorar ou dar melhores condições de vida a família?Evidentemente, pagar impostos, trabalhar e progredir na vida está intima e diretamente ligado àqueles que comandam a vida política, econômica e administrativa do país e que representam o povo. Portanto, a única forma de modificar esse contexto seria apostar em novos governantes éticos e justos, que assumam para decidir como melhorar a vida daqueles que representam, sem explorá-los, sem roubá-los, mas será que há candidatos com esse perfil? Espera-se que sim. O País agradece e confia que os dirigentes futuros percebam essa incoerência e retifiquem esses erros atuais, permitindo que os trabalhadores realmente sejam reconhecidos e valorizados e deixem de ser o burro de carga de uma nação que prega a igualdade, a fraternidade e a justiça.