Ser professora implica na capacidade de cativar, encantar e mexer com aqueles com quem trabalha, mas nem sempre é assim.
A atividade cotidiana em sala de aula é, muitas vezes, talvez na maioria, um processo repetitivo, insonso e monótono, com apenas um sujeito ativo e trinta (mais ou menos) passivos. Apenas ouvindo, repetindo, escrevendo por, no mínimo, 4 horas. Nesse processo quase não há espaço para a brincadeira, o riso, a alegria, a interação, para o prazer. O aprender se torna um ato pesado, triste, e, descaracterizado na sua essência por ser uma atividade global e massificante.
Questionar!?! Jamais!!!! Expressar uma vontade, um desejo... Nunca!!! Deus me livre!!! E, depois??!! Como fica depois?!? Só Deus sabe!!!!
Assim transcorre o ano letivo: o aluno ouve, escreve, responde mecanicamente. Não há um desejo de aprender. Aprende-se porque é preciso, porque se está ali, não tem escolha. Exercício, prova, teste, memorização, teste, prova,... ah! E tem o conselho. Este foi inventado para que os professores possam exteriorizar o que acham do aluno! E as teorias são tantass!!! Cada um tem uma! Ou duas!! Três... e lá se vai a manhã toda!
E o aluno? Ah! Este fica em casa esperando o veredito! E nunca é bom!! Ainda não vi ou assisti ao pós-conselho. Ou seja, o aluno nunca é informado do que foi tratado lá! Para que? O objetivo não é esse!! Afinal ele é tão culpado quanto seus pais, sua condição, blablabla. Não estudam, não se interessam, não fazem nada!! Não querem nada com nada!! Ver o que está errado e descobrir juntos uma forma de melhorar?! Para quê! Não vai dar certo mesmo!!!
Nada com nada é o que resume o processo de educar. Nunca irá formar sujeitos reflexivoscríticos, donos de seus desejos, vontades. Ter uma educação útil que preencha suas necessidades, seu querer, seu gosto/desgosto... se faz imprescindível. Mas onde está a chave do cofre? Cadê o manual de instrução? Quem está com a razão? O que eles querem aprender? Para quê? Por quê???? E, assim vamos levando adiante uma história que já sabemos de cor o final. E, este não é nada bom, ou pelo menos não deveria ser, deveria, sim, ter um começo, um meio e um final feliz, porém poucos casos têm final feliz, outros nem têm final.
No entanto, cada fim de ano, para mim, cada conselho final, traz no seu bojo toda uma terrível e pesada carga de descontentamento, de decepções, de dor e de muita tristeza. A cada novo 'julgamento' sinto-me como um andarilho perdido, incapaz de voltar para casa. Vejo muitos caminhos, mas pouca vontade de caminhar. Vejo estradas de terra batida, vejo ruas, avenidas e atalhos, becos. Vejo multidões caminhando tropegamente em direção ao horizonte que se aproxima a cada passo... que parece tão perto... mas é pura miragem! Quanto mais caminhamos... mais distante ele fica. Os sonhos caem por terra juntamente com o desânimo, com a falta de perspectivas, de objetivos, simplesmente se caminha... e é justamente esse caminhar sem rumo que deixa marcas amargas, duras, impiedosas na vida desses alunos.
Evidentemente, quero crer que faço a diferença! Penso que cada um de nós, professores, contribuimos com o melhor, oferecemos o melhor, mas sempre fica a questão: o que realmente é o melhor para o aluno? Espero que esse melhor esteja ligado aos seus sonhos, as suas esperanças de um futuro digno e que realmente estejamos contribuindo para que ele encontre seu caminho e siga alegremente, contente. Que a esperança no futuro esteja em cada passo, em cada nova curva que vence.